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DELICIA DE RECEITA
 
 
Louruz retorna a casa. Este é o sentimento do técnico áureo-cerúleo, que novamente comandará o Pelotas em uma competição Natural de Porto Alegre, 62 anos, o treinador Valmir Louruz está de volta ao Esporte Clube Pelotas, local onde se sente em casa. Desta vez, com um desafio pela frente: colocar o Lobo entre os grandes do futebol do Rio Grande do Sul no próximo ano. Ele que já defendeu as cores do clube como atleta, está tendo a quarta oportunidade de ficar nas casamatas do azul e ouro. Valmir, que aniversaria em 12 de março, um dia depois de Rio Grande e Pelotas – pela segunda rodada da série B 2007 – dirigiu o clube da avenida nos anos de 81, 97 e 2003. No primeiro ano foi somente na pré-temporada e o atual presidente Luiz Aleixo, fazia parte do corpo diretivo na época enquanto que, no último, evitou a queda do áureo-cerúleo de divisão. Louruz, pela primeira vez terá uma experiência dentro do futebol numa divisão segunda. Até então, nunca havia trabalhado em time qualquer, que não fosse na “vitrine”. Como jogador, no ano de 67 chegou à Boca do Lobo. Foi trazido por Osvaldo Rola – popularmente conhecido como Foguinho -, que o viu jogar em campos de Várzea e gostou das atuações do zagueiro. Foram duas temporadas no Lobão, até ser emprestado para o Palmeiras. Mais tarde, foi vendido ao Inter. Passou também pelo Caxias, Esportivo e Juventude, bem como outras equipes. Encerrou a carreira no esmeraldino Caxiense, com 36 anos. Em seu currículo, uma vasta experiência no futebol mundial, inclusive tendo maus bocados no exterior. Tanto que, em pleno trabalho fora do Brasil, o ex-presidente Fernando Collor de Melo, o livrou de uma pior. Estes aspectos, somando-se ao retorno para o Pelotas, são contados numa entrevista que a Redação do Futebol na Rede realizou com o técnico. Confira a seguir:
1- Futebol na Rede: Louruz, por que resolveste encerrar a carreira de jogador? Como foi o começo de técnico e fale um pouco sobre sua história como treinador, fora às passagens pelo Pelotas?

Valmir Louruz: Pela idade. Foi quando comecei a carreira de técnico. Primeiro, era supervisor do Juventude, de Caxias. Na saída do Paulo Rodriguez, me pediram para ficar uma semana de técnico. Ganhamos o jogo, acumulei as funções até o final daquele ano e tomei gosto da coisa. Depois, fui para o CSA (Alagoas). Rapidamente passei pelo Pelotas em 81 e tive no Brasil em 85, na campanha do campeonato Brasileiro. Fui – depois - para o exterior treinar a Seleção Olímpica de Kuwait que estava se preparando para as Olimpíadas de Barcelona. Fui interrompido pela Guerra do Golfo. Voltei e fiquei mais dois anos lá. Disputamos as Olimpíadas de Barcelona. Tive também no Japão, Arábia, e outros clubes aqui no Brasil. Voltei ao país, quando assumi o Juventude e fomos campeões da Copa do Brasil.

2- FNR: Como foi o trabalho no exterior com uma Guerra rolando?

Valmir Louruz: Não se trabalhava. Corria atrás de comida. Fiquei preso lá (Kuwait), e houve uma rapidez da minha saída. Saíram várias pessoas junto comigo, por influência do presidente Fernando Collor de Melo, que foi meu presidente no inicio da carreira no CSA, e na época era presidente do país. Quando estava preso, ele entrou em contato comigo por intermédio do embaixador, para me tranqüilizar que minha família estava bem. Ele forçou minha saída de lá, e fomos trocados por remédios.

3-FNR O melhor momento na sua carreira de técnico até hoje?

Valmir Louruz: Tive bons momentos. Acredito que quando agente ganha títulos. Tive alívio quando o Pelotas não cairia mais em 2003. O bom momento é o da vitória.

4- FNR: O título mais importante?

Valmir Louruz: O mais falado é o da Copa do Brasil com o Juventude. O Kuwait disputou só uma vez as Olimpíadas e tive o prazer de estar. Depois que saí, nunca mais disputou uma Olimpíada.

5- FNR:Tem um pior momento?

Valmir Louruz: Ah sim. Sempre tem. Toda a derrota é um pior momento. Principalmente quando agente não espera que aconteça.

6- FNR: Que diferenças notas, neste retorno ao Pelotas em relação aos anos anteriores que passaste aqui?

Valmir Louruz: A minha vida dentro do Pelotas é mais ligada ao coração do que propriamente ao lado profissional. Recebi um apelo do pessoal do Pelotas para trabalhar, e achei que teria condições de participar do Pelotas hoje. Tive “n” propostas, inclusive do exterior, e até há pouco tempo ligaram aqui para o Kanela (Manoel Lilles, preparador físico) para tentar me demover da idéia de sair. Meu desejo é fazer algo que marque o Esporte Clube Pelotas. Não tenho uma foto minha em um quadro do time que comandei, na galeria do Pelotas. Nunca tive um título aqui.

7- FNR: Não ter tido um título na Boca do Lobo foi uma das razões para ter voltado ao clube?

Valmir Louruz: Também. Mas, é ligado também a um sentimento que tenho pela cidade e por querer ficar mais próximo dos meus familiares.

8- FNR: Já subiu de divisão algum clube?

Valmir Louruz: Não. Porque nunca trabalhei num time que estivesse em uma divisão abaixo.

9- FNR: Alguém que sobe um time conhece o caminho, tu não tiveste esta experiência ainda. Mesmo assim, qual o caminho para conseguir o acesso?

Valmir Louruz: Coesão no trabalho. Me refiro a tudo. Jogadores, que possam ter afinidade com o treinador. O treinador ter uma afinidade com a direção. Só desta forma todos juntos e unidos, é que se conseguem bons resultados. Porque onde existe muita divergência, dificilmente vai existir organização que faz com que um clube chegue ao seu objetivo. E o objetivo do Pelotas é subir. É mais uma oportunidade para que isto aconteça e quero estar no bolo.

10- FNR: São diferentes momentos no Lobão. O coração batendo forte no contato no dia da apresentação, foi uma deles. Como projetar o jogo de estréia na Segundona? E o reencontro com a torcida em uma partida valendo, de que forma fica o lado emocional?

Valmir Louruz: Tenho que ter um controle bom e próprio para superar isto. Me emocionei aqui, em outras vezes também. Sempre sinto uma vontade de chorar e tenho que me controlar. Na apresentação tive que me controlar muito, para não demonstrar que estava emocionado. Mas, mesmo assim demonstrei. Como falei antes, quero deixar uma marca no Pelotas. Deixei como jogador, mas título nenhum. Quero ajudar o Pelotas, porque ajudando também estarei me ajudando. E, não quero sair daqui derrotado.

11- FNR Se conseguires subir de divisão, pegas o teu “chapéu” e vais embora? Terás o sentimento de dever cumprido? Ou pretendes ficar no clube para jogar uma Primeira Divisão?

Valmir Louruz: Isto é o futuro. Não sei sobre o futuro. Não sei se terei força ou se vão me agüentar muito tempo. Gostaria de permanecer, porém, não posso falar nada de concreto sobre isto, porque o propósito inicial do Pelotas é este, classificar o Pelotas. Depois, seja o que Deus quiser.

12- FNR: Pensas em encerrar a carreira aqui?

Valmir Louruz: Seria até bom. Encerrar num lugar onde agente tem uma feição, jamais iria esquecer.

Até o dia 24 de fevereiro de 2007, Valmir Louruz tinha como treinador do Pelotas o seguinte retrospecto: 33 jogos, com 14 vitórias, 11 empates e 8 derrotas. Sendo que, na Boca do Lobo, foram 16 partidas, 7 vitórias, 6 empates e 3 derrotas. Fora, foram 7 vitórias, 5 empates e o mesmo número de derrotas.
Texto e foto: Felipe Machado
Colaborou: estatístico Sidney Kwecho
Entrevista concedida especial para a Rádio Pelotense e para o FNR
 

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