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| A Redação do Futebol na Rede, conversou com Wolnei Caio, hoje gerente de futebol do Esportivo. Caio, que ficou marcado por passagens no Grêmio,e por uma carreira vitoriosa, respondeu algumas questões. Confira: |
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1- Futebol na Rede: O ano de 2007 marcou o seu encerramento de carreira como jogador de futebol. Mas, foi um ano que marcou porque fostes treinador e também gerente de futebol. Como foi? Já havia pensando em parar com o futebol?
Caio: Foi um ano bem atípico. Três empregos diferentes no mesmo clube. Mas, para mim foi uma honra e uma satisfação. Já vinha pensando em parar. Estou com 39 anos. Então, já estou pensando faz uns 2, tres anos, no que fazer. Mas, tinha o pensamento de continuar com o futebol e foi me dada essa oportunidade mais uma vez, e estou muito feliz e contente.
2- Futebol na Rede: Decisão difícil, encerrar?
Caio: Foi uma coisa muito rápida. Joguei num domingo contra o Atlético Goianense pela Série C, e num domingo à noite chegaram para mim assumir como técnico. Não deu nem tempo de pensar nisso. Acabei assumindo a equipe na Copa RS e com dois jogos na Série C. Acabou como técnico e já virei gerente. O importante é que estamos com o trabalho aí, sempre fazendo alguma coisa.
3- FNR: Pelo futebol dava para ficar mais tempo em atividade?
Caio: Dava, dava. Alguns diretores conversaram comigo para jogar mais este campeonato. Fiz até uma proposta para o clube para jogar o Gauchão. Mas, como o Édson Klauch deixou o clube e foi para Ulbra. Abriu esta porta né. E, eles já sabiam que eu tinha interesse de fazer alguma coisa, além de jogar, ou como auxiliar técnico, ao no clube. Conversaram comigo e houve o acerto.
4- FNR Alguns setores queriam você no campo, e outros convenceram a ir para gerente. Quais foram?
Caio: Estas pessoas que estão na diretoria. A maioria queria que eu jogasse o Gauchão. E, depois, que eu continuasse no clube fazendo outra coisa. Aceitei e fiquei contente e feliz, porque queria ficar trabalhando no clube.
5- FNR: Haviam muitas propostas?
Caio: Tive do Guarani de Campinas, com o Roberval Davino, técnico que já trabalhei com ele no Juventude. Este ano jogamos contra o Bragantino, ele era o técnico. Ligou para mim, mas falei que não queria ir porque tenho um dívida trabalhista lá, e ficaria difícil voltar para lá. Fiz um gol neste jogo. Houve uma proposta do Brasil de FA também com o Nairo Pivatto, grande amigo meu. Fiz uma proposta, mas não chegamos num acordo. Depois aceitei assumir a gerência de futebol do Esportivo.
6- FNR: A melhor decisão foi essa, de gerente do Esportivo?
Caio: Espero que sim. Porque foi no clube que comecei e encerrei a carreira. Foi o clube que abriu as portas para mim.
7- FNR: Como foi o início de carreira?
Caio: Jogava em Garibaldi, Futsal e Futebol de campo. Conheci um amigo de Bento Gonçalves (Becker), que não está mais aqui, está em Caxias. Jogava no time dele em Garibaldi. Tinha 15 anos naquela época. Chegamos na final do Campeonato Municipal naquela época. Como ele morava em Bento, conseguiu para que realizasse um teste no Esportivo. Realizei o teste, com o técnico Raquete, nos Juniores. E, no coletivo que ele fez, passamos e ficamos nos juniores. Isto em 1985. Logo em seguida, já subindo para o Profissional, com o mesmo técnico Raquete. Acabei jogando dois últimos jogos no Profissional do Esportivo, com 16 anos. Apesar de jovem, já mostrava o meu futebol.
8- FNR O 1o ano como profissional, como foi?
Caio: Foi muito rápido. De júnior para o Profissional, na época era muito complicado. Hoje é uma coisa mais natural isso. Foi díficil, mas, pelo trabalho agente conseguiu mostrar o que sabia.
9- FNR: E no Grêmio?
Caio: Fiz um coletivo lá, com o Ivo Wortaman, e fiz quatro gols. Ele me chamou e já queria que eu ficasse por lá. Aí, o Esportivo num primeiro momento não liberou. Fiquei praticamente seis meses só treinando no Grêmio, porque estava com o passe preso no Esportivo. Joguei um campeonato de Seleções, pela Seleção Gaúcha. Fui bem e gostaram de mim. No ano seguinte as diretorias trocaram, chegaram num acordo, e acabei ficando em definitivo no Grêmio. Fiquei por lá até final de 88, quando acabou minha idade de Júnior. Depois fui emprestado para o Juventude. No Grêmio não cheguei a ter a felicidade de pegar um jogo no banco no Profissional. Mas, no profissional tive um período de testes.
10- FNR: Do Juventude emprestado voltou para o Grêmio?
Caio: Fiquei até final de 93, emprestado depois para Portuguesa. Joguei o Paulistão e depois voltei para o Grêmio, quando o Grêmio ganhou a Copa do Brasil, estava no grupo mas, não vinha sendo aproveitado. Até 97 fiquei no Canindé. Num meio tempo, estive no Japão também.
11- FNR: O que houve naquela decisão entre
Portuguesa e Grêmio pelo Brasileirão? Já que você estava naquelas finais memorávais.
Caio: O primeiro jogo ganhamos por 2 a 0, sendo que estávamos com um homem a mais desde os 20 minutos do primeiro tempo. Faltou um golzinho a mais para dar mais tranquilidade. Mas, ganhar por 2 a 0 já era um grande resultado. Sabíamos que seria difícil em Porto Alegre. Fomos para lá, e foi aquela pressão. Gol cedo do Paulo Nunes. Voltamos bem no segundo tempo. Perto do final do jogo, o Aílton pegou um chute que não sei se chutando cem vezes conseguiria acertar de novo. São coisas do futebol, do destino. Até hoje não assimilamos bem essa derrota. Depois disso estive no Cruzeiro de Minas e no Botafogo.
12- FNR: O melhor momento?
Caio: No Cruzeiro foi o de maiores conquistas. Os melhores momentos foram no Grêmio e na Portuguesa.
13- FNR: O destino quis que você decidisse uma competição com um time que você já tinha defendido. Pois estavas no Botafogo e enfrentasse o Juventude em 99, na final da Copa do Brasil. E aí?
Caio: Perdemos no Jaconi por 2 a 1. Naquele jogo tivemos dois gols anulados pelo Márcio Rezende em Caxias. Fomos confiantes para o jogo do Maracanã, mas, infelizmente não fomos felizes e o Juventude mereceu a conquista. O sentimento foi parecido com a derrota para o Grêmio, quando estive na Portuguesa.
14- FNR: O momento para ser esquecido?
Caio: Principalmente nas conquistas. Quando agente não conseguiu vencer. Quando você não ganha com certeza o jogador fica muito triste e muito chateado. Principalmente aqui no Brasil que o segundo lugar é como se você é o último.
15- FNR: A vida de um jogador de Futebol é dura?
Caio: Muito dura. Você tem que se alimentar bem, dormir bem. Não tem final de semana. Se você não tem esta filosofia na sua mente, você não consegue se dar bem.
16- FNR: Pretende quem sabe ser técnico de vez?
Caio: Foi uma coisa muito rápida em 2007, e não estava preparado naquele momento. Para ser técnico tem que ter o dom e entender de futebol também. Não é do dia para noite. Não fiz nenhum curso, estágio, sai de campo no domingo e na segunda já era treinador. Com certeza não estava preparado. Num primeiro momento não me vejo ainda como técnico no futuro. Espero neste momento continuar trabalhando como gerente de futebol.
17- FNR: Faltou um planejamento para ser técnico?
Caio: Não faltou porque não tinha interesse de ser técnico num primeiro momento. Aceitei o convite porque o Armando (Desessards) teve que ir embora. Aceitei o grupo porque eles me aceitaram. Mas, com certeza faltava cancha e técnica para levar o comando até o final. Apesar de que não faltou comando, para que não fôssemos bem na Copa Amoretty.
18- FNR: Por que não quiseste ser técnico?
Caio: Não me despertava interesse chegando perto do final da minha carreira. Agora que já senti um pouquinho do gosto, e como abri esta porta como gerente de futebol, vou tentar estudar e aprender dentro deste novo emprego de gerente. Quem sabe no futuro me preparar. Mas, num primeiro momento não penso.
19- FNR: Hoje diariamente o que é o seu trabalho?
Caio: Acima de tudo, cuidar da Federação. O que diz respeito à contrato de jogadores. Moradia, alimentação dos jogadores. Com relação à marcar campos para treinos. Agente cuida a parte de acompanhamento de treinamentos também. Não em todos, mas, no possível estar ali junto com a comissão técnica. Material de jogo, bola, e, um monte de coisinhas.
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Entrevista concedida ao repórter Rômulo Balbinotti da Rádio Viva News.
Texto: Felipe Machado/Rádio Viva News/Bento Gonçalves-RS - especial para o Futebol na Rede
Foto: Divulgação/arquivo pessoal |
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